Para mim não é só "Vou à Terra"!
É um "lavar a Alma". Passando "o Paralelo de Coruche" tudo muda, todas as maleitas são curadas, inexplicavelmente todas as constipações, dores nas "cruzes" e demais "achaques" miraculosamente se desvanecem...
O cheiro a terra, a terra molhada, o cheiro do gado (sim, sei que é estranho!) os sabores, o cheiro das lareiras das casas, que o fumo que se escapa das chaminés se encarrega de dispersar pela vila... Acho que só um alentejano compreende...
A infância e parte da adolescência vivida no Alentejo marcaram-me... e moldaram-me.
Chegadas as férias "grandes"(para os mais novos: as férias de Verão eram 3 meses!! Queriam, não era?

Não queria praia, queria ir para o campo com o meu avô. Aparelhar a junta de vacas ao último carro de bois que existia na Vila e cujos aros de ferro que constituíam as rodas anunciavam "à légua" a nossa chegada.
"Ouvir" os campos de arroz a crescer, correr atrás dos bezerros e apanhar fruta das árvores (quais químicos qual quê!). Ir à noite, com os amigos, aos pássaros, de "flauber" em punho, beber água das fontes, chegar a casa à noitinha completamente sujo, tipo mineiro, correr pelos canais de rega, apanhar rãs e cobras de água e nadar naquela ribeira de água límpida e fazer um intervalo nas "natações" para ir mesmo ali ao lado roubar uma melancia para matar a sede... Saltar da ponte para a correnteza... Apanhar barbos à mão...
Como em Mora as caches que existem são minhas não vou indicar nenhuma. São caches despretensiosas, nada de especial, mas talvez agora se perceba (talvez até eu agora perceba) porque as coloquei. Representam um pouco de mim. Só isso.